ONU condena racismo contra Vini Jr. e cobra ações

O alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker TĂŒrk, condenou nesta quarta-feira (24) os atos de racismo contra o jogador de futebol brasileiro Vini Jr.

Por Ricardo Marcogé em 24/05/2023 às 12:17:53

O alto comissĂĄrio da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker TĂŒrk, condenou nesta quarta-feira (24) os atos de racismo contra o jogador de futebol brasileiro Vini Jr., atacante do clube espanhol Real Madrid, ocorridos no Ășltimo domingo (21).

Em coletiva de imprensa, TĂŒrk destacou que as ofensas são um "lembrete gritante" da prevalĂȘncia do racismo no esporte. "Apelo aos organizadores de eventos desportivos para que tenham estratégias de prevenção e combate ao racismo", disse.

"Muito mais precisa ser feito para erradicar a discriminação racial – e isso precisa começar ouvindo as pessoas de ascendĂȘncia africana, envolvendo-as significativamente e tomando medidas genuĂ­nas para agir de acordo com suas preocupações", concluiu.

Apoio de autoridades

Desde o ocorrido, o atleta tem recebido apoio de autoridades do Brasil, personalidades do esporte e colegas do clube espanhol. O governo brasileiro divulgou, no inĂ­cio da semana, nota de repĂșdio aos ataques racistas.

O governo federal cobrou urgĂȘncia na adoção de medidas sobre a recorrĂȘncia de casos de racismo cometidos contra o atleta na Espanha. Assinam a nota os Ministérios das Relações Exteriores, da Igualdade racial, da Justiça e Segurança PĂșblica, do Esporte e dos Direitos Humanos e da Cidadania.

"Insta as autoridades governamentais e esportivas da Espanha a tomarem as providĂȘncias necessĂĄrias, a fim de punir os perpetradores e evitar a recorrĂȘncia desses atos". As instituições citadas no texto são a Federação Internacional de Futebol (Fifa), a Federação Espanhola e La Liga.

Em publicação nas redes sociais, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, cobrou uma postura mais firme de entidades esportivas, governos, patrocinadores e da imprensa. Ele criticou a posição do presidente da La Liga, Javier Tebas.

"Em vez de se solidarizar com Vini JĂșnior, o presidente de La Liga resolve atacar o atleta pelas redes sociais. Para além do destempero do cartola, seria o caso de se perguntar como as empresas que patrocinam a La Liga se posicionam", afirmou o ministro.

O ministro da Justiça e Segurança PĂșblica, FlĂĄvio Dino, prestou solidariedade ao jogador atacado e exigiu ações concretas dos empresĂĄrios que financiam eventos futebolĂ­sticos. "Isso é deplorĂĄvel, inaceitĂĄvel e deve ter consequĂȘncias. Espero que essas empresas façam alguma coisa de sério e efetivo sobre o inaceitĂĄvel e reiterado racismo contra Vinicius JĂșnior".

O Ministério da Igualdade Racial afirmou, em seu perfil no Twitter, que o Brasil vai notificar oficialmente as autoridades espanholas e a La Liga, responsĂĄvel pelo torneio de futebol profissional espanhol.

"O governo brasileiro não tolerarĂĄ racismo, nem aqui, nem fora do Brasil! Trabalharemos para que todo atleta brasileiro negro possa exercer o seu esporte sem passar por violĂȘncias". JĂĄ a ministra Anielle Franco postou: "InaceitĂĄvel! O peito chega aperta de tanta indignação! Até quando teremos que lidar com isso!? Chega de racismo!"

O vice-presidente da RepĂșblica e ministro do Desenvolvimento, IndĂșstria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no Twitter, considerou inaceitĂĄveis os ataques racistas sofridos por Vini Jr. "O racismo deve ser combatido ativamente e rechaçado em todos os cantos do mundo".

Liga

Em nota, a La Liga, liga de futebol profissional de clubes da Espanha, informou que solicitou todas as imagens disponĂ­veis para investigar o ocorrido. "ConcluĂ­da a investigação, caso seja detectado um crime de ódio, a La Liga passarĂĄ a tomar as medidas legais cabĂ­veis".

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