Pesquisa mostra importância de áreas verdes urbanas para a saúde

Estudo realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) revela que há menos internações hospitalares por doenças respiratórias em municípios com mais áreas verdes.

Por Ricardo Marcogé em 25/05/2023 às 07:49:19

Estudo realizado por pesquisadores da Pontif├şcia Universidade Católica do Paran├í (PUCPR) revela que h├í menos internações hospitalares por doenças respiratórias em munic├şpios com mais ├íreas verdes. A pesquisa, que envolveu ci├¬ncia de dados, usou bases de informações p├║blicas como o Departamento de Inform├ítica do Sistema ├Ünico de Sa├║de do Brasil (Datasus), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat├şstica (IBGE), a Secretaria Nacional de Tr├ónsito e o Instituto Água e Terra (IAT) do Paran├í.

O objetivo do trabalho era avaliar como a infraestrutura verde urbana (IVU), composta por praças, parques, jardins planejados, fragmentos florestais, reservas florestais urbanas, bosques e arborização, impacta na sa├║de da população.

"Combinamos v├írias informações e fizemos um estudo que envolve aplicação de ci├¬ncias de dados, realizando, primeiro, uma an├ílise multivariada de tais dados e, depois, an├ílise de padrão. E chegamos à conclusão com base nesses estudos", disse à Ag├¬ncia Brasil a engenheira civil Luciene Pimentel, professora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUCPR e uma das autoras da pesquisa.

A pesquisa usou também dados censit├írios, porque o estudo, que envolvia somente a questão das internações por doenças respiratórias, analisou também indicadores de pobreza. "Encontramos resultados interessantes nesse sentido. Na verdade, os munic├şpios que t├¬m ├şndices de pobreza mais altos também apresentam mais internações hospitalares na comparação com munic├şpios em que os ├şndices são menores."

A pesquisa envolveu 397 dos 399 munic├şpios paranaenses, porque dois apresentavam falhas de dados. As informações foram coletadas em 2021 e 2022, sendo os resultados divulgados agora. Artigo referente ao estudo, intitulado Ecosystems services and green infrastructure for respiratory health protection: A data science approach for Paran├í, Brazil (Serviços ecossist├¬micos e infraestrutura verde para a proteção da sa├║de respiratória: Uma abordagem de ci├¬ncia de dados para o Paran├í, Brasil, em tradução livre), foi publicado na liga internacional de revistas cient├şficas MDPI e pode ser acessado na ├şntegra neste link.

O estudo é assinado por Luciene Pimentel e pelos professores Edilberto Nunes de Moura e F├íbio Teodoro de Souza, da PUCPR, e pelo doutorando da mesma universidade Murilo Noli da Fonseca.

Importância

Luciene salientou a import├óncia do resultado, porque a Organização Mundial da Sa├║de (OMS) reporta 4 milhões de mortes anuais por doenças respiratórias, das quais 40% são por doenças pulmonares obstrutivas crônicas. "O mundo inteiro est├í muito preocupado com essa situação."

Ainda de acordo com a OMS, 99% da população mundial respiram ar que excede os limites de qualidade recomendados. Além de in├║meros problemas de sa├║de, a poluição atmosférica causa 7 milhões de mortes anuais em todo o mundo.

Luciene ressaltou a exist├¬ncia de uma d├║vida na literatura cient├şfica sobre até que ponto a vegetação realmente contribui para diminuir a poluição do ar, tendo em vista que as doenças respiratórias são fortemente conectadas com esse problema nas ├íreas urbanas, ou se a forma como se dispõe a vegetação urbana pode até piorar a sa├║de respiratória pela dispersão de pólen.

A professora disse acreditar que os resultados do estudo podem subsidiar pol├şticas p├║blicas voltadas para a sustentabilidade ambiental e a gestão da sa├║de urbana. A redução das taxas de internações por doenças respiratórias traz acoplada a redução dos custos com hospitalizações por agravos de sa├║de e outras infecções, podendo contribuir ainda para a queda das faltas ao trabalho e à escola.

Continuidade

A equipe de pesquisadores pretende dar continuidade agora ao estudo envolvendo a capital paranaense, Curitiba, em escala intraurbana, e não mais municipal, com participação da rede de pesquisa Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação, financiada pela Fundação Arauc├íria, no ├ómbito de emerg├¬ncias clim├íticas. Ser├í medida, por exemplo, a distribuição de pólen na cidade. De acordo com Luciene, as medições serão usadas para analisar dados em uma escala mais detalhada.

"O que estamos querendo fazer agora é começar a olhar por tipologia de doenças respiratórias, como a asma, por exemplo, que tem aumentado muito no mundo. A asma é uma doença que preocupa. Na faixa de crianças, que interessa à nossa pesquisa, a doença vai comprometer a vida adulta. Asma não tem cura, é doença crônica. A pessoa vai depender de remédios o tempo todo. Enquanto crianças, faltam à escola por causa da doença; os pais faltam ao trabalho", disse Luciene.

As doenças respiratórias t├¬m sinais diferentes. Da├ş a razão de o estudo continuar, no sentido de esmiuçar os detalhes. O objetivo dos pesquisadores, mais adiante, é estender a pesquisa para outros estados do pa├şs. "A ideia é termos uma pesquisa nacional."

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