Brasil deve atualizar sua política para continente africano, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (25), que o atual dinamismo da África exige que o Brasil atualize sua política para o continente.

Por Ricardo Marcogé em 25/05/2023 às 16:50:10

O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (25), que o atual dinamismo da África exige que o Brasil atualize sua pol√≠tica para o continente. "A África é uma das regiões que mais cresce no mundo. Sua relev√Ęncia no comércio global é expressiva", disse, reafirmando o apoio do Brasil para entrada da União Africana no G20.

Segundo o presidente, a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que entrou em vigor em 2021, é a maior do mundo, com 1,3 bilhão de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB – soma de bens e serviços produzidos) de US$ 3,4 trilhões. J√° o comércio bilateral do Brasil com a África, em 2022, foi um terço menor que o valor de 2013, quando o fluxo chegou a quase US$ 30 bilhões.

Lula participou de um almoço para marcar o Dia da África e pelo encerramento do semin√°rio Brasil-África: Relançando Parcerias, no Pal√°cio do Itamaraty, em Bras√≠lia. Entre os convidados estavam ministros de Estado, parlamentares e os embaixadores e encarregados de pa√≠ses africanos.

Ao longo de quatro dias, os participantes do semin√°rio debateram questões sobre cooperação para o desenvolvimento, interc√Ęmbio educacional, equidade de g√™nero, empreendedorismo, inclusão social, economia criativa, diversidade e desafios internacionais contempor√Ęneos. O evento foi promovido pelo Ministério das Relações Exteriores e a Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Itamaraty.

"Nossa relação com a África é uma pol√≠tica de Estado que perpassa o conjunto da sociedade brasileira. Ser√° conduzida como prioridade pelas distintas pastas do governo, com o engajamento ativo da academia, dos meios de comunicação e da sociedade civil", disse Lula ao acrescentar que o Brasil precisa ampliar a presença na África de forma duradoura, com a abertura de embaixadas, centros culturais e escritórios de instituições brasileiras como a Embrapa, a APEX, o SENAI e a Fiocruz.

"Significa, também, apoiar a internacionalização de empresas brasileiras, de forma a responder ao chamado africano por investimentos e gerar conhecimento, emprego e renda", destacou.

O presidente citou ainda as agendas comuns e oportunidades de parcerias nas questões ambiental, transição energética, comunicações, acesso à sa√ļde e combate à fome.

Combate ao racismo

Para Lula, a promoção da igualdade racial também é um eixo cont√≠nuo ligando as pol√≠ticas nacionais à atuação internacional dos pa√≠ses. Mais uma vez, ele repudiou os ataques racistas direcionados ao atacante brasileiro Vinicius J√ļnior, do Real Madrid, no √ļltimo domingo (21), no duelo com o Val√™ncia pelo Campeonato Espanhol.

"Não toleraremos racismo nem contra brasileiros, nem contra africanos no Brasil", disse. "Vamos reassumir o protagonismo em iniciativas internacionais em favor de populações afrodescendentes", acrescentou o presidente.

Lula afirmou que vai propor a prorrogação da Década Internacional de Afrodescendentes convocada pelas Nações Unidas (ONU). O ano de 2024 marca o fim dessa campanha. "Sua implementação, no Brasil, foi comprometida pelo descaso das autoridades. Vamos propor a prorrogação da iniciativa na próxima Assembleia Geral [em setembro]", disse.

Vaga no G20

Como parte da retomada das relações internacionais, no √ļltimo domingo (21), durante a visita ao Japão, o presidente Lula teve uma reunião com o presidente de Comores, Azali Assoumani, atual presidente da União Africana. Na ocasião, ele anunciou o apoio do Brasil à demanda do grupo de 54 pa√≠ses africanos por uma vaga no G20, a exemplo da União Europeia, que é membro do Grupo.

"J√° contamos com a participação da África do Sul, mas a representatividade do grupo pode ser ampliada com o ingresso da União Africana e de outros pa√≠ses do continente", disse Lula.

Em novembro deste ano, o Brasil vai assumir a presid√™ncia tempor√°ria do G20, que atualmente est√° com a √ćndia. O Grupo dos Vinte (G20) é composto por 19 pa√≠ses (Argentina, Austr√°lia, Brasil, Canad√°, China, França, Alemanha, √ćndia, Indonésia, It√°lia, Japão, Coreia do Sul, México, R√ļssia, Ar√°bia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos) e a União Europeia. Os membros representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) global, mais de 75% do comércio global e cerca de dois terços da população mundial.

Ao defender a ampliação da participação de pa√≠ses emergentes na governança global, Lula afirmou que algo semelhante ocorre com as instituições financeiras internacionais, que não t√™m atendido às necessidades dos pa√≠ses em desenvolvimento.

"Muitos ainda se veem pressionados por condicionalidades e asfixiados por d√≠vidas impag√°veis. Queremos que o Banco dos Brics [bloco formado por Brasil, R√ļssia, √ćndia, China e África do Sul] se consolide como alternativa de financiamento e vamos fortalecer nosso engajamento com o Banco Africano de Desenvolvimento", completou o presidente.

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